O SAS foi traído em nome dos direitos humanos
- Fernando G. Montenegro
- há 6 dias
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Como veterano das Forças Especiais, acompanho com profunda preocupação os rumos que a segurança pública ocidental está tomando. Sei na própria pele o que significa operar em ambientes hostis, como favelas, onde uma decisão em fração de segundos pode definir vidas. Por isso, longe de achar que tropas de elite podem ter licença para matar indiscriminadamente, ao ler sobre operadores que arriscaram tudo pelas suas sociedades e depois passaram a ser perseguidos em tribunais, sinto que muitas pessoas não valorizam quem as protege.

O título deste artigo resume perfeitamente o amargo sentimento que hoje permeia as tropas operações especiais: O SAS foi traído em nome dos direitos humanos.
Essa traição institucional não é mero acaso jurídico; ela faz parte de uma estratégia bem articulada. Atualmente, esse tipo de inimigo que assombra os operadores de forças especiais não carrega armas ou explosivos. Nessa dimensão do campo de batalha, as Forças de Operações Especiais são abatidas por juízes que misturam ideologias em suas interpretações da lei e advogados armados com processos judiciais intermináveis, invocando interpretações rígidas de leis e tratados internacionais com o único propósito de proteger terroristas e criminosos.
A engrenagem do Lawfare e a Guerra de Narrativas
Para entendermos como O SAS foi traído em nome dos direitos humanos, precisamos jogar luz sobre duas ferramentas utilizadas ativamente pelos inimigos do Estado e da sociedade: o "lawfare" (guerra jurídica) e a implacável guerra de narrativas ideológicas.
O lawfare consiste no uso estratégico do sistema jurídico para deslegitimar, paralisar e destruir oponentes. Integrado à guerra de narrativas, custas e indenizações judiciais, ele se torna a arma perfeita para neutralizar as Forças de Operações Especiais. Muitas vezes, após a tropa neutralizar uma ameaça no combate, Organizações Não Governamentais (ONGs) e ativistas constroem rapidamente uma narrativa vitimizando o agressor ou terroristas. O criminoso perigoso vira um "jovem vulnerável", enquanto o policial em legítima defesa é rotulado de "executor fascista".
O lawfare inunda o judiciário com inquéritos intermináveis. Organizações criminosas e células terroristas se beneficiam dessa paralisia institucional. Afastar as Forças de Operações Especiais do terreno através dos tribunais é infinitamente mais barato e eficaz do que enfrentá-las no terreno urbano ou rural a tiros. Para os ideólogos radicais, destruir a elite do braço armado do Estado é o passo inicial e definitivo para a total desestabilização da ordem.
O caso britânico: O SAS foi traído em nome dos direitos humanos
A unidade de elite britânica ilustra essa trágica realidade. Operadores do SAS enfrentaram com coragem o IRA, os talibãs e o Estado Islâmico, mas hoje são destruídos metodicamente pela burocracia estatal. Muitos soldados altamente treinados acreditam que, se apertarem o gatilho na zona de combate, passarão as próximas décadas como réus. Eles já não confiam nos seus superiores e acusam o sistema de traição.
Tomemos como exemplo o operador M, que serviu por mais de 34 anos e responde até hoje por uma operação ocorrida em 1992 em East Tyrone, na Irlanda do Norte. Seu esquadrão enfrentou quatro membros do IRA que atacavam uma esquadra da polícia com uma metralhadora pesada. Eram inquestionavelmente uma ameaça letal. A realidade tática era cristalina: homens armados com intenção de matar. No entanto, a guerra de narrativas dos republicanos os transformou em mártires.
Assim como outros, o operador M vive um excruciante pesadelo jurídico há mais de três décadas, o que gerou severos quadros de depressão profunda. Em fevereiro de 2026, atualizações de inquéritos sob a Convenção Europeia dos Direitos Humanos reacenderam o debate, reforçando que o sistema legal prioriza a proteção aos agressores. Fontes confirmam que centenas de militares britânicos na ativa estão presos em inquéritos milionários, gerando uma perigosa hesitação tática.
O reflexo da lawfare no Brasil: CORE e BOPE sob a neutralização de ativistas
No Brasil, a lawfare atinge duramente corporações policiais de elite. O BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da Polícia Militar e a CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais) da Polícia Civil do Rio de Janeiro são alvos primários, letais e constantes dessa guerra híbrida.
No dia 06 de maio de 2021, a CORE foi recebida a tiros por centenas de bandidos fortemente armados quando deflagrou a Operação Exceptis na comunidade do Jacarezinho (RJ); a investigação que estava sendo realizada era sobre o aliciamento de crianças e adolescentes para ações criminosas, como assassinatos, roubos e sequestros de trens pelo crime organizado. A operação foi desencadeada após a quebra dos dados telemáticos, autorizada pela Justiça, em que foram identificados 21 de acordo com a polícia militar. A ação resultou em 28 mortos, incluindo um inspetor de polícia. A ação envolveu uma equipe com dezenas de policiais, 4 blindados e 2 helicópteros. Foram apreendidos na operação fuzis no valor de 60 mil reais, pistolas, uma munição de canhão e drogas. Seis pessoas foram presas na operação. Imediatamente após o som dos tiros cessar, a máquina de narrativas entrou em cena. Antes da emissão de qualquer laudo, a complexa ação tática foi condenada com estardalhaço midiático. O lawfare seguiu o seu curso: em novembro de 2022 e em março de 2023, delegados e agentes da CORE tiveram de se defender de acusações elaboradas pelo Ministério Público, enfrentando o risco de perderem suas carreiras pelo fato de combaterem criminosos e fortemente armados com fuzis e explosivos.
No dia 24 de maio de 2022, na Vila Cruzeiro do Complexo da Penha, BOPE e Polícia Rodoviária Federal (PRF) desenvolveram grande operação integrada para capturar vários líderes do Comando Vermelho que se encontravam abrigados e protegidos por decisões judiciais e restrições estatais descabidas. Após serem confrontados por centenas de criminosos armados com fuzis ao chegar na favela, necessária operação deixou 25 criminosos mortos. Parecendo desconhecer a realidade operacional de guerra urbana, o Ministério Público ordenou 10 dias de prazo para o BOPE explicar na íntegra o resultado, parecendo ignorar que os terroristas portavam fuzis modernos e controlavam o extenso território através do medo.
A imposição de crescentes restrições legais de engajamento, materializada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635 do Supremo Tribunal Federal, é o ápice do lawfare no Brasil. Sob a justificativa da defesa da vida humana, o asfixiante cerco jurídico gerou estatísticas visíveis nos relatórios de segurança de 2023 e de 2024. Esses dados espelham a veloz expansão do controle territorial armado de facções e milícias letais no estado fluminense. Esses grupos já usam comunidades carentes como bases intocáveis de treinamento e inexpugnáveis zonas de livre e sagrado refúgio.
O preço estatal e a real dificuldade técnica de formar um Operador
Neutralizar as tropas de elite através da caneta dos tribunais burocráticos constitui, na absoluta franqueza tática, um crime de lesa-pátria. Isso ocorre pelo imenso valor logístico e altíssimo valor estratégico agregado à figura do operador individual.
O público civil, que vive fora das comunidades, desconhece a dura realidade: o absurdo e irrecuperável custo financeiro estatal de formação profissional militar, além do risco de vida constante necessário para certificar legalmente um elemento tático de Operações Especiais.
Trata-se de uma carreira de abnegação, por voluntários natos. Esses homens optam sem hesitar, em colocar o seu próprio peito em risco na linha fatal de fogo direto. Eles aceitam cumprir as missões de resgate e de enfrentamento armado mais mortais.
O rigoroso processo seletivo da triagem e a impiedosa formação física excluem de pronto quem sequer pestaneja sob estresse extremo. Como resultado prático esperado por essas formações profissionais, as taxas brutais de reprovação se mantêm na marca elevadíssima nas melhores tropas do mundo.
Os raríssimos guerreiros que sobrevivem passam por anos de exaustiva capacitação. O Estado investe somas orbitais para treiná-los na precisão letal do Combate em Ambiente Confinado (CQB), na neutralização de explosivos, em operações aéreas perigosíssimas helitransportadas, nas florestas e no tiro frio de altíssima precisão executado por snipers. Esse profissional possui capacidade que a segurança regular simplesmente não consegue prover. Afastá-lo de forma intempestiva e o processar por atuar legitimamente é entregar a vitória ao crime organizado.
Reflexões globais para a defesa ocidental e conclusões de um veterano
Quando as bases das instituições de manutenção de segurança pública perdem o apoio do Estado, a sociedade tende ao colapso. A imposição do lawfare baseado nas engrenagens ativistas de ideologias calcadas na inversão de valores é um câncer que corrói as garantias da civilização.
A aplicação de legislações convencionais protetivas a criminosos que recebem forças de segurança em combates urbanos com armas de guerra é uma aberração jurídica. Forças de operações especiais não desejam estar acima das leis, mas precisam da justa segurança jurídica para o fiel cumprimento da lei em momentos de máximo terror.
As autoridades do Reino Unido, Brasil e outras democracias têm um dever inadiável e urgente: o dever do Estado de oferecer justa proteção legal indispensável, mínima e corajosa para quem se arrisca na linha de frente protegendo a sociedade. Não podemos deixar o heroico sangue da tropa de primeira linha se tornar mero ativo trocado nos tribunais ocidentais.
Fernando G. Montenegro
Veterano do Forças Especiais







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