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Hezbollah na América do Sul: A Conexão Perigosa entre Teerã, Caracas e os Riscos Geopolíticos Atuais 

Ilustração digital em estilo minimalista mostrando um mapa geopolítico que conecta o Oriente Médio à América do Sul. O mapa destaca as regiões do Irã e Venezuela, ligadas por linhas que se estendem até a Tríplice Fronteira, simbolizando a influência e as atividades do Hezbollah na América do Sul através do tráfico e da lavagem de dinheiro.

O Hezbollah, grupo paramilitar xiita libanês patrocinado pelo Irã, tem uma história marcada por atentados terroristas globais, incluindo os ataques à Embaixada de Israel e à AMIA na Argentina nos anos 1990. Sua expansão para a América Latina representa uma ameaça geopolítica que transcende o Oriente Médio, explorando alianças com regimes antiocidentais e vulnerabilidades regionais. Essa influência, consolidada por meio de redes criminosas e diplomáticas, ganha contornos ainda mais alarmantes no contexto atual, com escaladas no conflito Israel-Irã em 2025 e ações assertivas dos Estados Unidos contra o terrorismo transnacional, incluindo o recente envio de tropas e navios de guerra para as proximidades da Venezuela. Para o Brasil e outros países sul-americanos, isso impõe reflexões urgentes sobre segurança nacional, especialmente diante de posturas diplomáticas ambíguas que podem amplificar riscos.

 

A Trajetória de um Grupo com Influência Global

 As raízes do Hezbollah remontam à Revolução Iraniana de 1979, que instalou uma teocracia em Teerã e adotou o terrorismo como instrumento de política externa antiocidental. O Irã, sob sanções internacionais, usa proxies como o Hezbollah para projetar poder e contornar isolamentos econômicos. Essa estratégia persiste, com Teerã reforçando alianças para expandir influência, inclusive na América Latina, onde busca contrabalançar a hegemonia dos EUA. A relação com a Venezuela é pivotal: iniciada por Hugo Chávez e perpetuada por Nicolás Maduro, envolve cooperação em energia, economia e segurança, servindo como ponte para o Hezbollah. Ambos os países, alvos de sanções americanas, formam um eixo que facilita operações ilícitas, como financiamento via narcotráfico.

 

A Ameaça do Hezbollah na América do Sul

As preocupações não são abstratas. Inteligência argentina identificou Hussein Ahmad Karaki como suposto líder regional do Hezbollah, acusado de recrutamento no Brasil e em outros países. Relatórios de 2024-2025 indicam que líderes do grupo se deslocam para a América do Sul como precaução contra retaliações israelenses, elevando alertas sobre atividades locais. A Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) é um hub chave: instabilidade fronteiriça, corrupção e fiscalização fraca permitem lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e comércio ilegal, gerando bilhões para o terrorismo. No Brasil, autoridades desmantelaram uma célula do Hezbollah em novembro de 2023, planejando ataques a alvos judaicos, destacando a ameaça interna.

 

Mudanças no Cenário Atual: Ações dos EUA e Posturas Sul-Americanas

 O cenário geopolítico evoluiu dramaticamente em 2025, impulsionado pelo conflito Israel-Irã, com ataques israelenses a instalações nucleares iranianas em junho. Os EUA, sob a administração Trump, intensificaram ações contra o Hezbollah e Irã na região. Uma diretiva presidencial autorizou o uso militar contra cartéis na América Latina designados como terroristas, muitos dos quais colaboram com o Hezbollah em narcotráfico. Legislações como o "No Hezbollah In Our Hemisphere Act" visam bloquear a influência do grupo, com foco em Venezuela e Tríplice Fronteira. Essa postura reflete temores de retaliações iranianas na América do Sul, onde o Hezbollah poderia ativar células adormecidas em resposta à escalada no Oriente Médio. A queda do regime de Assad na Síria, em 2025, enfraquece o eixo Irã-Hezbollah, limitando recursos para operações na região, mas pode levar a uma consolidação em aliados como Venezuela.

 

Em agosto de 2025, a escalada americana ganhou novo ímpeto com o envio de tropas e navios de guerra para as proximidades da Venezuela. Relatos indicam o despliegue de três destróieres da Marinha dos EUA e cerca de 4.000 militares, incluindo fuzileiros navais, para o sul do Mar do Caribe, na borda das águas territoriais venezuelanas, sob o pretexto de combater o narcotráfico e o "narco-terrorismo" ligado a Maduro. Maduro respondeu mobilizando mais de 4,5 milhões de milicianos, denunciando a ação como uma tentativa de mudança de regime. Essa movimentação militar americana, que inclui navios anfíbios e forças de assalto, eleva o risco de confronto direto e pode indiretamente impactar as operações do Hezbollah, dado o papel da Venezuela como hub para o grupo e o Irã. Aliados como China condenaram a "interferência estrangeira", enquanto o presidente colombiano Gustavo Petro alertou contra uma invasão, destacando tensões regionais.

 

No Brasil, a postura do governo Lula é preocupante: condenou ataques israelenses ao Irã sem criticar o terrorismo de Teerã, alinhando-se a BRICS e permitindo maior presença iraniana, como atracação de navios em 2023 e influências em universidades. Isso contrasta com ações passadas, como a disrupção de células, mas pode expor o país a riscos, especialmente com recrutamentos locais. A escalada americana perto da Venezuela força o Brasil a reavaliar sua neutralidade, pois um conflito poderia desestabilizar fronteiras e fluxos migratórios, ampliando vulnerabilidades ao Hezbollah. Outros sul-americanos divergem: Argentina, Colômbia, Honduras e Paraguai designaram o Hezbollah como terrorista, intensificando cooperação com EUA e Israel. Já Venezuela, Cuba e Bolívia mantêm alianças firmes com Irã, condenando Israel e facilitando operações do grupo. Essa polarização fragmenta respostas regionais, com países pró-EUA fortalecendo fronteiras, enquanto aliados de Teerã servem como santuários. A presença militar dos EUA pode deter atividades ilícitas, mas também arrisca escaladas que beneficiem narrativas antiamericanas do Irã.

 

A Questão da Segurança Nacional

 Para o Brasil, apoio a políticas anti-Israel, somado à presença de células do Hezbollah e à escalada militar americana perto da Venezuela, eleva vulnerabilidades. Embora o grupo use a região mais para financiamento que ações violentas, o contexto de guerra híbrida – incluindo desinformação iraniana promovendo "resistência" enquanto reprime dissidentes internos – pode escalar. A intensificação de inteligência e cooperação internacional é crucial, especialmente com ações dos EUA pressionando cartéis e proxies. Sem alinhamento firme contra o terrorismo, o Brasil e vizinhos arriscam se tornar palco de retaliações, minando estabilidade regional em um mundo multipolar cada vez mais volátil.


Nandho Monttnegro

Qualquer Missão Em Qualquer Lugar

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Melquis Edelson
há 2 dias
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Interesse de grupos islâmicos na América do Sul


O interesse de grupos islâmicos extremistas na América do Sul, especialmente na região da Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), começou a ser observado com mais atenção a partir da década de 1990. Dois atentados terroristas ocorridos na Argentina marcaram esse período: o ataque à embaixada de Israel em Buenos Aires, em 1992, e o atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994. Ambos foram atribuídos ao grupo libanês Hezbollah, com fortes suspeitas de apoio logístico e financeiro do governo do Irã.


Desde então, investigações internacionais — especialmente dos Estados Unidos e da Argentina — indicam que o Hezbollah continua atuando na região com o apoio de redes locais de simpatizantes,…


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