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Um Monumento nos Céus: Paraquedismo - A Força Coletiva por Trás do Novo Recorde Sul-Americano

  • Foto do escritor: Fernando G. Montenegro
    Fernando G. Montenegro
  • 1 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 3 de ago. de 2025


Um universo além do salto

Imagem de um grupo de paraquedistas formando uma formação circular complexa no ar, com cerca de 20 pessoas vestidas em trajes coloridos (vermelho, azul, verde, amarelo e preto), segurando-se uns aos outros durante uma queda livre. No centro da formação, alguns paraquedistas criam uma estrela com os braços e pernas abertos. Abaixo, três aviões de asas duplas voam em formação, contrastando com o céu azul claro ao fundo.
Freefly

No imaginário popular, o paraquedismo é frequentemente reduzido ao ato de coragem de saltar de um avião. Contudo, essa visão simplista ignora a profunda complexidade de um esporte com diversas disciplinas. Existe um verdadeiro leque de modalidades, como a Formação em Queda Livre (FQL), a arte de construir figuras em conjunto; o Freefly, um balé aéreo tridimensional de alta velocidade; o voo de performance com Wingsuit, que simula o planar dos pássaros; e a Pilotagem de Velames, onde a perícia se demonstra em pousos rasantes e precisos. Dentro deste universo, as "Grandes Formações" representam o desafio supremo de sincronia e trabalho em equipe, exigindo que um vasto número de atletas execute uma coreografia aérea complexa e previamente definida com perfeição milimétrica.


A nova marca sul-americana

Foi exatamente nesse campo, o mais exigente em termos de colaboração, que um grupo de sul-americanos estabeleceu um novo paradigma.

Em 20 de junho, o céu da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, serviu de palco para uma demonstração histórica de habilidade e determinação. Um contingente de 104 atletas do continente, articulado pelo projeto Team of Teams, estabeleceu o novo Recorde Sul-Americano de Grandes Formações. Reduzir esta façanha a uma mera cifra, no entanto, seria um equívoco. O que aconteceu na Skydive Paraclete XP foi a materialização de um processo intenso, que durou uma semana inteira e culminou no sucesso após a nona decolagem oficial.


Desafios superados em busca da perfeição

A saga para alcançar a formação perfeita foi marcada por adversidades que testaram a fibra de cada participante. A equipe suportou temperaturas elevadas, longos períodos de espera no solo e interrupções causadas por condições meteorológicas desfavoráveis. A logística de operar com cinco aeronaves simultaneamente e os efeitos da rarefação do oxigênio em altitude desafiavam a fisiologia e a concentração. Ainda assim, a cada tentativa, a capacidade de superação do grupo se mostrava mais forte, e a disciplina coletiva, inabalável.


A força da liderança e da união

Essa coesão não surgiu espontaneamente. Foi forjada por uma liderança exemplar. Sob a visão estratégica de Carmem Pettená, a batuta técnica de Ricardo Pettená e o desenho preciso da formação por Rogério Martinati, uma equipe de capitães trabalhou incessantemente. Analisando cada salto, comunicando ajustes e, acima de tudo, nutrindo a moral do time, eles transformaram 104 vontades individuais em uma entidade única e focada.


Um momento de união sublime

O ápice dessa jornada, segundo o relato de inúmeros participantes, foi um momento que beirou o sublime. No instante em que a figura de 104 pessoas se completou no ar, uma quietude profunda e partilhada tomou conta de todos. Muitos descrevem uma corrente invisível de coesão, uma conexão que ia além da técnica e da comunicação visual. Esse clímax emocional, essa percepção de unidade absoluta, representa o verdadeiro espírito do esporte.


O legado do paraquedismo sul-americano

Portanto, este recorde é muito mais do que um feito atlético; ele é a consequência direta do amadurecimento do paraquedismo sul-americano. A iniciativa "Team of Teams", que congregou atletas de Brasil, Argentina, Chile, Equador, Paraguai e Uruguai e uniu diferentes escolas de pensamento, como as dos grupos BrDT, Prime e Skydive University, comprova um novo patamar de gestão horizontal e cooperação.

Mais do que números, o projeto serviu de ponte entre diferentes gerações, fortaleceu laços e abriu espaço para novos protagonistas. A figura desenhada no céu não foi efêmera. Ela deixa um legado poderoso de colaboração, resiliência e excelência, um símbolo que certamente ecoará e motivará as futuras gerações de paraquedistas em todo o continente.


Fernando Montenegro

Qualquer Missão Em Qualquer Lugar

 

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