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O Risco Transnacional do Narcoestado: Alerta Estratégico em Portugal e na Europa

  • Foto do escritor: Fernando G. Montenegro
    Fernando G. Montenegro
  • 3 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

A Expansão do Crime Organizado e a Vulnerabilidade dos Mercados Digitais

Mapa da Europa e Portugal com símbolos de finanças digitais e criptomoedas sobrepostos, ilustrando a infiltração de fundos ilícitos do crime organizado brasileiro (PCC) no mercado de apostas e tecnologia europeu.

A ameaça de o Brasil se tornar um narcoestado é um risco transnacional que exige atenção redobrada das autoridades europeias, especialmente em Portugal. A consolidação do crime organizado brasileiro, notavelmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), não se limita às fronteiras nacionais; a facção possui atuação transnacional e seus líderes chegam a comandar operações a partir do exterior.

A expansão financeira do PCC, cujo faturamento anual alcança cerca de R$ 10 bilhões , é movida por um modelo sofisticado de lavagem de dinheiro que se apoia no uso de fintechs, criptomoedas e, crucialmente, casas de apostas. Essa atividade floresce onde há falta de regulamentação e fiscalização.


A Conexão com Portugal e o Mercado de Apostas


Eventos internacionais que reúnem grandes players do setor de apostas e cassinos, como o SBC Summit, que ocorreu em Lisboa em setembro, com a participação de inúmeras empresas de diversos países, incluindo o Brasil, podem ser explorados pelo crime organizado.

É perfeitamente plausível que a estrutura criminosa mafiosa do PCC utilize tais eventos, e as relações comerciais deles decorrentes, como cortina de fumaça e como via para consolidar a sua presença financeira e operacional em Portugal e na Europa. A expansão de negócios legítimos pode ocultar o escoamento de fundos ilícitos provenientes de atividades no Brasil e em outros países.


A Resposta Estratégica Europeia

Diante da urgência do cenário brasileiro, onde o Estado precisa entregar "uma ferramenta útil pelos próximos 20 ou 30 anos" para combater o crime organizado, as agências portuguesas precisam adotar uma abordagem preventiva e integrada.

O risco de infiltração de fundos ilícitos através de setores pouco fiscalizados é global. A Fiscalização Financeira é uma das áreas onde a "absoluta ausência do Estado" permitiu o crescimento exponencial do crime. Em Portugal, as agências de inteligência e segurança, como o Serviço de Informações de Segurança (SIS), o Alto Comissariado para as Migrações (ACM/AIMa) e a Polícia Judiciária (PJ), devem observar com extrema atenção:

  • Fluxo de Capitais: Monitorar transações e investimentos de empresas brasileiras no setor de apostas e tecnologia em Portugal.

  • Contratos e Compliance: Investigar a origem dos fundos e a conformidade legal das empresas de apostas e dos contratos celebrados com influencers.

  • Cooperação Internacional: Reforçar a troca de informações com autoridades brasileiras, especialmente aquelas ligadas ao enfrentamento de facções.


Qual o Próximo Passo?

O desafio de combater o crime organizado é transnacional e exige coordenação. A próxima etapa essencial para as autoridades portuguesas é integrar e elevar o nível de monitoramento sobre a economia digital e o setor de apostas. A resposta não pode depender apenas da "boa vontade" dos agentes; é necessária uma legislação clara e rígida que determine a ação coordenada e permanente das agências.

Assim como no Brasil, o país que vive um processo acelerado de infiltração, a vigilância estratégica em Portugal é vital para garantir que a expansão da economia digital não se torne a rota de entrada para o dinheiro de facções criminosas, preservando assim a soberania institucional europeia.


Fernando G. Montenegro

Qualquer Missão Em Qualquer Lugar

 

1 comentário

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Elma
04 de dez. de 2025
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Excelente!!!!

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