Intervenção na Venezuela: Uma Ação Defensável ou uma Violação?
- Fernando G. Montenegro
- 5 de jan.
- 4 min de leitura
Como sempre afirmo no meu "Código Estratégico", o cérebro humano é o alvo principal de

qualquer conflito moderno, mas o território físico ainda exige de nós decisões cirúrgicas, éticas e, acima de tudo, precisas. Escrevo este artigo para o meu blog, Código Estratégico, com a autoridade de quem dedicou a vida ao estudo da guerra e da estratégia, para analisarmos um dos eventos mais impactantes do nosso hemisfério: a intervenção na Venezuela ocorrida em janeiro de 2026.
Muitos me perguntam se o que vimos foi uma invasão arbitrária ou uma necessidade tática. Minha análise, como Coronel Fernando Montenegro, é clara: a crise na Venezuela, marcada por anos de repressão sistemática e abusos atrozes sob o regime de Nicolás Maduro, atingiu seu ponto de irreversível ruptura. O que os EUA executaram não foi uma invasão generalizada de ocupação, mas uma intervenção limitada e cirúrgica. Esta é, em minha visão, uma forma defensável de uso da força sob o Direito Internacional dos Conflitos Armados (DICA), especialmente quando o Estado em questão perde completamente sua função soberana e passa a atuar como um ente criminoso.
A Evolução da Crise e a Guerra Híbrida
Para entendermos a intervenção na Venezuela, precisamos olhar para trás. O que começou em 2014 como uma crise política interna evoluiu para um teatro de operações de guerra híbrida sem precedentes na América Latina. Relatórios internacionais já documentavam, há anos, execuções extrajudiciais e torturas. A ONU identificou crimes contra a humanidade cometidos pelo regime, mas o tabuleiro geopolítico era muito mais complexo.
Como estrategista, minha preocupação nunca foi apenas o sofrimento dentro das fronteiras venezuelanas, mas como o país foi transformado em um braço avançado de potências hostis aos interesses ocidentais. A Venezuela tornou-se um "hub" estratégico para a Rússia, China e Irã. Em janeiro de 2026, os dados de inteligência confirmaram que a infraestrutura militar fornecida por Moscou e os acordos de inteligência com o Irã haviam ultrapassado o limite da cooperação defensiva, tornando-se uma base de projeção de poder contra a estabilidade regional.
O tratado de coordenação estratégica assinado em outubro de 2025 escancarou as portas para influências malignas. Essa internacionalização removeu o rótulo de "conflito doméstico". A presença de forças russas e iranianas não era simbólica; incluía bases de inteligência que ameaçavam diretamente o Brasil, a Colômbia e a segurança hemisférica dos Estados Unidos. Quando um regime facilita o narcotráfico e se alia a cartéis para manter o poder, ele deixa de ser um governo e passa a ser uma ameaça de segurança transnacional.
A Resposta Estratégica e a Intervenção na Venezuela como Necessidade Legal
No campo de batalha moderno, a resposta deve ser curta, focada e letal para a estrutura do regime, sem afetar desnecessariamente a população civil. A operação de captura realizada reflete exatamente essa necessidade de inteligência tática aplicada. Sob o DICA, intervenções a convite de governos reconhecidos internacionalmente (como a oposição legítima) podem ser justificadas para restaurar a ordem.
O argumento de autodefesa contra o "narco-terrorismo" promovido por Maduro é um movimento jurídico válido. Em minhas palestras, sempre ensino que os princípios da distinção e proporcionalidade devem ser o norte de qualquer comandante. Na intervenção na Venezuela, vimos a priorização de alvos específicos: centros de comando, comunicações e figuras-chave do regime. Isso evitou bombardeios indiscriminados e poupou a infraestrutura essencial do povo venezuelano.
Essa abordagem de "decapitação" da liderança criminosa é o que eu chamo de cirurgia estratégica. Se não houvesse essa ação, a repressão se transformaria em um câncer com metástase por toda a América Latina, manifestada pelo caos econômico e pela migração em massa. Estimativas atualizadas de 2026 indicam que o fluxo migratório poderia ter colapsado os serviços públicos em cidades fronteiriças brasileiras se o regime permanecesse intacto por mais um semestre.
Paralelos Históricos: Da Operação Causa Justa (Just Cause) aos Dias Atuais
Quem não estuda a história está condenado a repetir erros táticos. A Operação Just Cause, no Panamá em 1989, serve como o paralelo perfeito. Naquela época, os EUA removeram Manuel Noriega para proteger cidadãos e combater o tráfico de drogas. Maduro, assim como Noriega, sustentava-se em redes corruptas.
A diferença fundamental hoje é a tecnologia. Em 1989, a intervenção durou semanas e teve um custo humano maior devido às limitações da época. Na intervenção na Venezuela de 2026, o uso de drones de última geração, inteligência cibernética e operações especiais de alta precisão permitiu que o foco cirúrgico encurtasse a fase de combate para poucos dias. A omissão custa vidas; a ação precisa as salva.
É irônico observar regimes como os de Cuba e Nicarágua criticando a intervenção. Isso apenas prova que a estratégia foi eficiente em desmantelar o eixo da repressão. Em minha carreira, vi que intervenções bem planejadas podem, sim, restaurar a democracia, desde que haja um plano claro para o "dia seguinte".
O Futuro Após a Intervenção: Transição e Resiliência
O sucesso de uma operação militar não termina na captura de líderes; ele começa de fato na transição democrática. A Venezuela não pode se tornar um novo fracasso de "construção de nação". Sem uma transição rápida e monitorada pela OEA e pela ONU, o risco de um vácuo de poder persiste.
Minha recomendação para os líderes regionais, especialmente o governo brasileiro, é focar na cooperação humanitária e na reconstrução econômica. Dados econômicos de 2026 mostram que a recuperação da produção petrolífera venezuelana, sob uma gestão transparente, é a única forma de estabilizar o câmbio na região e frear a inflação transfronteiriça.
Além disso, é essencial combater a desinformação. A guerra híbrida continua no campo digital mesmo após os tiros cessarem. A sombra da Rússia e da China ainda tentará desestabilizar a narrativa. Precisamos garantir que a liberdade vença a guerra da informação.
Conclusão
Entender as regras do jogo é a única forma de não ser manipulado por elas. A intervenção na Venezuela foi um marco que definiu o limite da tolerância internacional contra regimes que exportam instabilidade e crime organizado.
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Não deixe sua mente ser o próximo campo de batalha; entenda as regras do jogo antes que elas vençam você.
Fernando G. Montenegro
Qualquer Missão Em Qualquer Lugar










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