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Bodes Expiatórios: A Sincronicidade Quase Matemática entre Escândalos de Corrupção e a Perseguição Midiática aos Kids Pretos

  • Foto do escritor: Fernando G. Montenegro
    Fernando G. Montenegro
  • 21 de mai.
  • 9 min de leitura

Ilustração simbólica de bodes expiatórios representando militares das forças especiais usados como cortina de fumaça para distrair de escândalos de corrupção no Brasil, com silhuetas de soldados obscurecidas por fumaça, dinheiro dissipando e balanças da justiça desequilibradas,

Bodes expiatórios é o termo que define com precisão o que vem acontecendo no Brasil desde junho de 2023. Você já percebeu essa sincronicidade quase matemática entre os grandes escândalos de corrupção que explodem envolvendo bilhões de reais e algumas operações midiáticas e judiciais direcionadas contra os chamados kids pretos, a elite combatente das Forças Especiais do Exército? Não se trata de coincidência. É método. É uma estratégia calculada para desviar a atenção da opinião pública enquanto o dinheiro público continua escorrendo por ralos bilionários.

 

Como veterano das forças especiais, e vivo na pele essa realidade há quase três anos. Como alguém que dedicou a vida inteira ao serviço à pátria, em operações reais, em treinamentos rigorosos e em missões que exigem o máximo de inteligência e resiliência, eu vejo com clareza como essa máquina funciona. O objetivo é simples: transformar militares de conduta ilibada em bodes expiatórios permanentes sempre que um escândalo maior ameaça vir à tona.

 

O Início da Campanha de Assassinato de Reputação em Junho de 2023

 

Tudo começou de forma cirúrgica no dia 6 de junho de 2023. A matéria publicada pela revista Piauí, intitulada “Os kids pretos”, serviu como o pontapé inicial de uma perseguição implacável. Aquela reportagem apresentou vários nomes de operadores das Forças Especiais e misturou fatos reais com fantasias elaboradas e informações fora de contexto. O resultado foi a construção da lenda de uma farsa golpista sem armas e sem qualquer fundamento concreto. A reportagem parece ter sido o gatilho inicial da campanha coordenada de narrativa, alinhada às investigações em curso sobre os eventos de 8 de janeiro.

 

Aqui surge uma pergunta que não pode ser ignorada: como uma revista de circulação nacional conseguiu acesso a uma lista confidencial com mais de trinta nomes de operadores de forças especiais? A lista de militares das forças especiais é protegida por sigilo institucional rigoroso exatamente para preservar a segurança das operações e a integridade desses profissionais. Na minha percepção, e na de muitos camaradas que conversaram comigo na época, aquela peça pareceu uma encomenda bem orquestrada, com ajuda de fontes internas que forneceram dados privilegiados e assessoramentos na elaboração do roteiro da narrativa. Informações reservadas, que deveriam permanecer confidenciais, apareceram com detalhes seletivos.

 

Além disso, vários dos nomes que aparecem na reportagem são de operadores que trabalhavam sem nenhuma conexão com o presidente Bolsonaro, que nem mesmo os conhecia pessoalmente. Muitos de nós que aparecemos na matéria não tínhamos qualquer ligação direta com eventos políticos recentes, mas fomos pintados com o mesmo pincel largo. O enredo estava pronto: criar um bode expiatório coletivo que pudesse ser ativado a qualquer momento para contribuir com projetos de poder de grupos políticos.

 

Menos de uma semana depois, em 12 de junho de 2023, vários dos militares que apareciam na reportagem estavam sendo propostos para serem convocados na Comissão Parlamentar de Investigação. Isso não parece mera coincidência. Parece ação sob encomenda, integrando perfeitamente guerra de narrativa com guerra jurídica e, consequentemente, guerra econômica.

 

Infelizmente, no Brasil não existe nenhum mecanismo de controle efetivo dos órgãos de imprensa que realmente responsabilize jornalistas e órgãos de imprensa de forma a compensar os problemas causados às pessoas atingidas por narrativas tendenciosas fabricadas. Não há reparação efetiva por danos morais, econômicos e à imagem quando a grande mídia decide pautar uma perseguição política. Isso cria um ambiente de impunidade que incentiva o abuso e o alinhamento político em detrimento da verdade e da ética jornalística.

 

Minha Experiência Pessoal como Alvo dessa Estratégia

 

Como veterano das forças especiais, eu fui um dos alvos diretos dessa peça de propaganda. Desde 2023, eu e vários amigos próximos passamos a sofrer ataques coordenados que misturam guerra de narrativa, guerra jurídica e guerra econômica. Eu vi amigos de mais de trinta anos, em vez de me procurarem para entender o que realmente acontecia, simplesmente me cancelarem publicamente. Isso mostra o poder destrutivo dessa campanha de Operações Psicológicas. Não é apenas reputação que se perde. É confiança, é rede de apoio, é a própria dignidade.

 

A matéria da Piauí e outras reportagens que se alcançaram veteranos como eu, que nunca participamos de qualquer ato ilícito, mas que agora carregamos o peso de uma narrativa fabricada. Famílias foram desestruturadas. Esposas e filhos viram o nome do pai ou do marido arrastado na lama sem direito a uma defesa proporcional. Eu mesmo senti na carne o custo emocional e financeiro dessa perseguição.

 

Os Três Níveis da Estratégia: Guerra de Narrativa, Guerra Jurídica e Guerra Econômica

 

Essa operação não é amadora. Ela tem três níveis de integração profundos e interligados, que se reforçam mutuamente para criar um ciclo vicioso de destruição.

 

A Guerra de Narrativa como Primeira Linha de Ataque

 

Na guerra de narrativa, a grande imprensa atua como o principal amplificador. Quando escândalos bilionários ganham proporções gigantescas, os holofotes se voltam imediatamente para os bodes expiatórios. A fumaça midiática é tão densa que o cidadão comum mal consegue enxergar o roubo real do erário público.

 

A Guerra Jurídica e o Uso do Lawfare

 

A guerra jurídica vem logo em seguida. Decisões monocráticas, inquéritos que se arrastam por anos e ações que visam condenação antecipada transformam a justiça em arma política. O que chamamos de lawfare é exatamente isso: o uso seletivo do aparato judicial para perseguir adversários ou, no caso, bodes expiatórios convenientes.

 

A Guerra Econômica como Golpe Final

 

Aqui entra o terceiro nível, a guerra econômica. Não basta prender ou processar. É preciso quebrar financeiramente. Advogados caros, perícias intermináveis, recursos que se estendem por anos. Pequenas reservas acumuladas ao longo de uma carreira de serviço dedicado são drenadas. Casas são hipotecadas, planos de futuro são desfeitos. Militares de conduta ilibada sofrem enquanto criminosos de colarinho branco prosperam.

 

O Padrão que se Repete com Escândalos Bilionários

 

Observe o padrão nos últimos anos. Em 2025, os escândalos da Máfia do INSS (Operação Sem Desconto, com prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões) e do Banco Master (Operação Compliance Zero, a maior fraude bancária da história brasileira) explodiram com força total, revelando fraudes que envolvem o mais alto escalão dos três poderes. Dias ou semanas depois, a narrativa contra os kids pretos voltou com tudo. Decisões judiciais espetaculares foram divulgadas, reportagens especiais foram publicadas e a perseguição midiática foi reativada.

 

Para ilustrar essa sincronicidade de forma clara e objetiva, elaborei a seguinte tabela com exemplos reais extraídos de fatos públicos confirmados:

 

Data do Escândalo de Corrupção

Escândalo de Corrupção com Conexão Política

Data da Ação contra Kids Pretos / Militares

Descrição da Ação contra os Militares

Abril de 2025

Operação Sem Desconto: Fraudes bilionárias no INSS (R$ 6,3 bilhões em descontos irregulares)

Maio a julho de 2025

Menções midiáticas intensas e novas fases de inquéritos envolvendo militares das forças especiais

Novembro de 2025

Operação Compliance Zero : Banco Master (maior fraude bancária da história)

Novembro de 2025

Julgamento e condenação no STF do núcleo 3 dos kids pretos (penas de até 24 anos)

Março de 2026

Desdobramentos do Banco Master e CPMI do INSS

13 de março de 2026

Determinação de prisão dos últimos kids pretos condenados

 

 

Essa tabela demonstra o padrão repetido: quando o escândalo bilionário ganha força ou o contexto político esquenta, poucos dias depois a máquina midiática e judicial volta a focar nos bodes expiatórios. Não é jornalismo investigativo. É o uso estratégico de bodes expiatórios para controlar a narrativa nacional.

 

O Resultado do Cenário Criado: Determinações Impostas à Tropa de Operações Especiais e Impactos na Instituição

 

O cenário criado pela narrativa midiática e judicial desde junho de 2023 teve consequências concretas e diretas sobre a tropa de operações especiais. Em 2025, após dois anos de estudos e investigações internas, o Comando do Exército Brasileiro concluiu uma ampla reestruturação no Comando de Operações Especiais (COpEsp), com transferência de unidades, corte de vagas em algumas estruturas, troca de comandos e inclusão obrigatória de disciplina de ética no curso de formação.

 

Mais recentemente, uma nova determinação determinou a transferência do Centro de Instrução de Operações Especiais (CI Op Esp), localizado no Forte Imbuhy, em Niterói (RJ), para Goiânia (GO). O projeto desse centro de treinamento foi realizado de forma planejada e estruturada ao longo de mais de dez anos, envolvendo investimentos em infraestrutura e material de dezenas de milhões de reais. Provavelmente, os cursos sob responsabilidade desse centro terão que retornar a uma situação de improviso e falta de estrutura adequada, sem previsão clara de recursos para os investimentos necessários à reestruturação compatível com as necessidades.

 

A campanha de destruição da reputação da elite dos combatentes do Exército tem atingido diretamente a imagem da instituição como um todo. As Forças Especiais, conhecidas pela excelência, pela discrição e pelo patriotismo inabalável, são alvo de uma campanha sistemática de desmoralização coletiva. O treinamento em guerra irregular, sabotagem e operações psicológicas que é realizado por tropas de operações especiais no mundo todo, é distorcido para parecer, perante a opinião pública, uma ameaça interna. Ignora-se que esses mesmos profissionais atuaram em missões de pacificação, em desastres naturais e na defesa da soberania brasileira.

 

Esse ambiente de desconfiança e pressão tem gerado consequências graves e mensuráveis. O número de interessados em concursos para militares de carreira despencou: as inscrições para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) caíram de 43.914 em 2022 para 30.873 em 2025, uma redução de quase 30 por cento em apenas três anos. Ao mesmo tempo, os pedidos de baixa de militares de carreira aumentaram significativamente. Em 2025 e início de 2026, dezenas de oficiais, incluindo majores próximos da promoção, solicitaram desligamento voluntário, aceitando inclusive pagar indenização pela formação recebida. Relatos indicam que, em alguns meses de 2025, mais de 600 militares temporários e de carreira pediram baixa nas Forças Armadas.

 

A defasagem salarial agrava o quadro. Apesar do reajuste de 9 por cento parcelado entre 2025 e 2026, as perdas acumuladas desde 2019 superam R$ 3.500 por mês por militar, segundo cálculos baseados na inflação e no poder de compra. Militares das Forças Armadas ganham, em média, 19 por cento menos que policiais militares. Além disso, a forma pejorativa como militares têm sido tratados no cumprimento do dever compromete ainda mais a imagem da força. Esta semana, no Acre, durante a Operação Ágata 2026, uma promotora de Justiça confrontou militares em uma abordagem de rotina, afirmando publicamente que “você não é autoridade”. No Congresso Nacional, episódios recentes de hostilização a comandantes e assessores parlamentares das Forças Armadas, incluindo interpelações agressivas e manifestações de repúdio, têm gerado tensão e desgaste institucional.

 

A Importância Vital das Forças Especiais do Exército Brasileiro

 

É fundamental enfatizar a importância das Operações Especiais do Exército Brasileiro para a defesa nacional. As Forças Especiais (F Op Esp) são o multiplicador de força da tropa terrestre, capacitadas para missões de alto risco que as forças convencionais não conseguem executar com a mesma eficiência: operações de guerrilha e contraguerrilha, contraterrorismo, coleta de inteligência em profundidade, infiltração em território hostil, ações psicológicas, defesa QBRN e apoio em operações de Garantia da Lei e da Ordem.

 

Elas atuam na Amazônia, na fronteira, em desastres naturais e em missões internacionais, preenchendo lacunas estratégicas e garantindo a soberania em cenários assimétricos do século XXI. Sua adaptabilidade, flexibilidade e seletividade são valores fundamentais que tornam o Brasil mais seguro. Qualquer narrativa que desmoralize ou restrinja desnecessariamente essas tropas enfraquece a capacidade defensiva do país como um todo.

 

Os Impactos Reais nas Famílias e na Instituição Militar

 

Essa campanha não atingiu apenas a mim e a alguns amigos. Ela atinge a instituição Exército como um todo. A família militar sofre de forma silenciosa. Esposas, filhos e pais veem o nome arrastado na lama sem direito a resposta proporcional. A guerra econômica desestrutura lares inteiros. Custos judiciais absurdos consomem economias construídas com suor, disciplina e sacrifício. Muitos bons profissionais se afastam do serviço público por medo de retaliação futura. Isso enfraquece as Forças Armadas e, consequentemente, a defesa nacional.

 

Por Que Isso Não É Coincidência e o que Podemos Fazer

 

Eu não falo por ressentimento. Falo por dever de verdade. Como comandante que liderou homens em situações extremas, aprendi que a guerra irregular exige inteligência, resiliência e precisão cirúrgica. O que vemos agora é uma guerra cognitiva aplicada contra nós mesmos, dentro do próprio país. A grande imprensa faz parte do sistema. Ela escolheu lado. Cabe a nós, cidadãos conscientes, exigir equilíbrio, transparência e justiça igual para todos.

 

A democracia verdadeira não se sustenta com bodes expiatórios. Ela exige accountability real e fim da impunidade para os poderosos. Enquanto escândalos bilionários são abafados por narrativas diversionistas, o Brasil perde confiança, perde recursos e perde futuro.

 

Eu continuo combatendo com inteligência. Não com armas, mas com palavras, com análise profunda e com o compromisso de revelar o método por trás da fumaça. Reconhecer essa sincronicidade é o primeiro passo para desmontar a estratégia. A opinião pública, quando desperta, é mais poderosa que qualquer narrativa fabricada.

 

Por isso, eu convido você a pensar criticamente. Observe o padrão. Quando um escândalo bilionário surge, veja o que a mídia grande faz dias depois. O método é claro. A sincronicidade é evidente. Não se deixe enganar pela cortina de fumaça.

 

Combata sempre com inteligência.

 

Fernando G. Montenegro 

Veterano das Forças Especiais 

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5 comentários

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26 de mai.

Comandante Montenegro, sua reflexão toca em um ponto sensível: quando a reputação de pessoas e instituições passa a ser julgada antes mesmo da compreensão completa dos fatos, o dano humano, familiar e institucional já está produzido. A sociedade precisa aprender a separar responsabilização individual de destruição coletiva de reputações. Como veterano e profissional de segurança, entendo que nenhuma democracia madura se fortalece com narrativas absolutas, mas com fatos, devido processo, equilíbrio, transparência e responsabilidade. As Forças Especiais fazem parte de uma capacidade estratégica do Estado brasileiro e qualquer debate sobre seus integrantes deve ser conduzido com seriedade, proporcionalidade e respeito à verdade. Combater com inteligência também é isso: não abrir mão da justiça, mas preservar lucidez, método e responsabilidade na…

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Convidado:
24 de mai.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente meu amigo! Ver sempre fora da caixa tem um preço e controlar resultados são tarefas desgastantes, pois ser e não parecer é muito cansativo. Todavia ainda estou de pé. Pense nisso!

Força e Fé!

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Convidado:
23 de mai.

Excelente texto, expondo com nitidez como a esquerda persegue e destroi os herois nacionais e suas familias.

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Convidado:
22 de mai.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente apreciação e exposição da grave situação que nosso país vive e em particular as FFAA. Dentro desta, o destaque são as Forças Especiais, onde abrigam os agora famosos "Kid Pretos". A mídia tenta carimbar como algo ruim e que supostamente são perigosos à sociedade, usando seus elementos como "cortina de fumaça" à adventos que acontecem ou que são descobertos. Tudo isso imprimem pressão aos chefes militares a adotarem medidas que podem prejudicar a essência da formação dos Forças Especiais.

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Andre
22 de mai.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Importante visão e correlação de cenários que numa primeira instância parecem ser divergentes, mas que guardam pontos em comum.

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